Podcast: http://lomez.mypodcast.com/
KENNEY JONESBorstal Boys
FACES – OOH LA LA, 1973
Taí um cara que deveria estar em qualquer lista dos 10 melhores bateristas de rock de todos os tempos. Não bastasse ser sócio-fundador do importante Small Faces e, depois, do Faces, KJ foi escolhido para substituir ninguém menos do que Keith Moon nas baquetas do Who. Aliás, o Faces é uma banda que merecia muito mais destaque. Durou pouco, mas deixou discos sensacionais. Voltando ao KJ, ele consegue fazer (com o pé nas costas) o que considero ser o sonho de qualquer baterista de rock: ter técnica de sobra e, ainda assim, respeitar as características tradicionais do estilo. Ouça essa música e repare na forma que ele carrega a música nos tambores.
PS. 1 – Quando assisti ao filme “25 x 5”, sobre os Rolling Stones, lembro do Ron Wood contar que ficou preocupado em largar os Faces para ingressar nos Rolling Stones. Na época eu pensei: “Que cara louco! Que dúvida ele poderia ter?”. Hoje, eu entendo perfeitamente, já que, na época, os Rolling Stones eram, na minha humilde opinião, inferiores aos caras (desculpem o trocadilho).
WILLIE "WILD" SPARKS
Got To Go Through It To Get To It
Vamos considerar o funk (ou funky) como uma forma de tocar, e não como um estilo musical. E que o funk presente em cada músico seja algo mensurável, assim como os “midichlorians” no sangue dos Jedis :-). Seguindo esse analogia, podemos afirmar que, quando o assunto é funk, Larry Graham é mais poderoso do que Yoda, Anakim e Palpatine juntos. Não só como baixista, mas como cantor e multiinstrumentista. E a sua banda, montada após os anos na escola Sly Stone, é uma das mais avassaladoras que já existiram. Ouçam a bateria de Willie Sparks e notem como ela é diferente – ela puxa a música pára trás, enquanto o baixo empurra o ritmo como uma locomotiva. E que arranjo, hein?
PHILIP "FISH" FISHERUnyeilding Conditioning
FISHBONE – GIVE A MONKEY A BRAIN...,1993
Descobri ontem que ele gravou o 1º disco do Fishbone com 14 anos!!! Parece coisa do demo alguém tocar daquele jeito com tão pouca idade. Vai entender... O fato é que nessa gravação, oito anos mais velha, “Fish” Fisher dá o gabarito do que é tocar ska de um jeito moderno. Notem como ele toca o tempo inteiro, com muitas notas, mas não sobrecarrega o arranjo em nenhum momento. Poucos caras são capazes de sair de uma batida dessas para um hardcore, passando para um funk, sem perder o rebolado.
JOHN DENSMORE
Peace Frog
Descobri essa música assistindo a série “Entourage”, na HBO. Conhecia esse disco apenas pelo superhit “Roadhouse Blues”, pois, na minha infinita preguiça, nunca havia me dado o trabalho de correr a agulha algumas faixas adiante. John Densmore é um baterista fora de série. Toca leve, tem técnica de jazzista e mantém firmemente o compasso. É uma pena que a “mística” em torno de Jim Morrison tenha, em parte, soterrado as verdadeiras qualidades musicais do grupo (dele inclusive).
ROGER POPE
Your Starter for...
ELTON JOHN – BLUE MOVES, 1976
Esse cara tocou com o Elton John em várias gravações e turnês. Até a chegada de Nigel Olsson, ele era o cara que segurava as baquetas para EJ (sem piadinhas, por favor). Gosto muito do som dessa bateria (principalmente do ximbau). Essa música mostra bem o quanto EJ era um compositor virtuoso. E acompanhar esse arranjo com uma bateria tão macia é mesmo para poucos.
CHRIS FRANTZ
Thank You For Sending Me An Angel
TALKING HEADS – MORE SONGS ABOUT BUILDINGS AND FOOD, 1978
Casamento é uma coisa difícil. Tocar numa banda durantes décadas, tão difícil quanto. E quando alguém resolve juntar as duas coisas? CF, casado com a baixista do Talking Heads, não só mostrou como é possível essa relação, como ainda colheu belos frutos no âmbito musical. A cozinha do TH não é composta de virtuosos, mas funciona que é uma beleza. Nessa música, podemos perceber o quanto baixo e bateria trabalham bem, tocando simples, mas com muita pressão. Adoro essa bateria, meio marcial e muito precisa, que já começa com o pé no acelerador. Grande música de um grande disco de uma grande banda!
CLYDE STUBBLEFIELD
I Got The Feelin'
Ele é conhecido como o baterista mais sampleado da história. Eu acredito, já que a virada de “Funkin’ Drummer” virou padrão nas entrada dos hip-hops dos anos 80. E essa bateria mostra bem como CS conseguia colocar nas baquetas as idéias de James Brown. Aliás, essa é até uma coisa interessante de se pensar: qual a real contribuição do baterista quando a idéia da batida surge na cabeça do vocalista (que, no caso, também era baterista)? De qualquer forma, o simples fato de alguém conseguir executar (com tanta categoria) uma coisa tão complicada (para época) é motivo de admiração.
PS. 3 – Quem quiser ouvir essa música numa versão diferente, é só alugar “48 Horas, parte 2” e curtir o Eddie Murhpy cantando no ônibus, saindo da prisão. Sensacional...
STEPHEN MORIS
Age of Consent
NEW ORDER – POWER, CORRUPTION & LIES, 1983
Desde a época do Joy Division, a onda de Stephen Morris era outra. Ele tocava dum jeito diferente, durão, como se tivesse aprendido a bateria na marra (talvez tenha sido assim, mesmo). Mas numa banda onde o baixo é tão agudo quanto a guitarra, não poderíamos esperar um baterista tradicional, né? O fato é que SM e suas batidas diferentes casam muito bem nas composições. Particularmente, no caso do New Order, prefiro as batidas tocadas por ele, ao invés das programadas.
PS. 4 – Eu considero aquela cena do filme “24 Hour Party People”, em que o Stephen Morris fica tocando em cima do telhado, sozinho, depois de todos terem saído do estúdio de gravação, uma das mais engraçadas que já vi.
PS. 5 – Seguindo a dica do meu amigo Elcio Jr, vou disponibilizar, sempre que possível um vídeo que tenha a ver com o post. Por isso, aqui vai o New Order, em 1984, tocando essa música no estúdio.
http://www.youtube.com/watch?v=0VcGJZpfl1c&mode=related&search=
TERRY BOZZIO
Wind Up Workin' In A Gas Station
Simplesmente o melhor baterista que passou pelas dezenas de formações do grupo de Frank Zappa. Na minha opinião, Terry Bozzio foi o que mais se integrou aos conceitos de FZ. E a admiração do patrão por TB era tamanha que ele escreveu um solo de bateria só para ele. A peça se chama “The Black Page”, tamanha era a quantidade de notas na partitura. Além disso, TB era muito musical (cantava bem para burro) e sabia dosar muitíssimo a sua tremenda técnica com um feeling impecável. Escolhi essa música por dois motivos: 1º, está num disco que adoro; 2º, tinha a duração adequada para o podcast. Além disso, é muitíssimo bem tocada. Reparem como a bateria passa pelas partes complicadas sem nunca perder a pressão.
JOHN GUERIN
Free Man in Paris
JONI MITCHEL – COURT AND SPARK, 1974
Tocar bateria numa banda que tem violão (e que não seja MPB!) é sempre uma benção. Pq o violão amarra o som de tal forma, que a bateria fica mais livre, além de não precisar meter a mão (já que os volumes normalmente são mais baixos). E essa versão é bem o caso. A bateria toca por cima de todo mundo, bem suave, mas cheia de balanço. A classe de JG (famoso músico de estúdio nos anos 70) é imensa, e ele segue todas as “curvas” de compasso do arranjo sem se chocar com nenhum instrumento. Swing de sobra num arranjo bem sofisticado. O que não é novidade, já que JM não contratava vagabundo para a sua banda.
JAMES STROUD
Groove Me
Confesso que nunca ouvi falar de James Stroud na vida. Por isso fui atrás de alguma informação que me ajudasse a entender a admiração incondicional que tenho por essa gravação. No final, descobri que ele era um músico de estúdio e que hoje é um produtor de sucesso em Nashville. Não ajudou muito, né? De qualquer forma, adoro a “aparente” simplicidade com que essa música é tocada. Digo “aparente” pq não é nada simples manter essa batida o tempo inteiro, sem atropelar, sem invadir o espaço dos outros instrumentos (e essa música é toda dividida). O baixo e a voz talvez sejam as coisas mais fodas da música, mas essa bateria sempre foi, para mim, referência de groove (ê trocadilho safado...).
AL JACKSON, JR
Shake
Deixei o mais foda dos fodas para o final. Quando assunto é soul, ninguém, mas ninguém mesmo, chega perto de Al Jackson Jr. Ele foi o baterista oficial da Stax nas décadas em que o selo era sinônimo de soul e rivalizava com a Motown. AJ era o baterista do Booker T. & The MG‘s, sensacional grupo que acompanhava, ao vivo e no estúdio, o lendário Otis Redding. “Shake” é um dos clássicos do também legendário Sam Cooke, mas OR, com a ajuda providencial de Al Jackson Jr, dá nova cara à música, transformando-a em uma de suas composições. Notem como AJ tem o controle total do arranjo e vai regendo as passagens de trás da bateria, empurrando a batida, sem perder um centímetro do balanço.
Era isso.
abs
Txotxa
JAMES GADSON
BILL BRUFORD





ROGER HAWKINS





